De Tarsila do Amaral a Candido Portinari, o Brasil possui grandes destaques no cenário da pintura nacional, seguindo técnicas do expressionismo, cubismo, modernismo, entre outras.
Hoje, o Brasil tem sido destaque também no traço naïf, junto à França, Itália, Haiti e na região da antiga Iugoslávia.
O termo naïf vem do latim e quer dizer nativus, aquilo que é natural. Este movimento artístico é sinônimo de arte ingênua, original, popular, instintiva. A tradução da palavra naïf em francês é ingênuo. No Brasil, este movimento cresceu a partir de 1937, com os pintores Heitor dos Prazeres, Cardosinho e Chico da Silva. Na França, Henri Rousseau é considerado o primeiro dos naïfs modernos.
Destaque atual no Brasil, o artista plástico Gerardo da Silva surpreendeu os franceses com sua arte naïf no ano de 2007, ao expor suas obras em homenagem aos 100 anos do avô, seu grande incentivador, o premiado pintor Chico da Silva, mais significativo representante deste estilo no Brasil. Foi com ele que Gerardo teve seu primeiro contato com a pintura: “Meu avô dizia: vou te dar esta cartolina e esta tela, se você não souber fazer nada vou quebrar estes três pincéis na sua cabeça”.
Desde então, Gerardo não parou de pintar. Recebeu prêmios, como o primeiro lugar na Bienal Naïf do Brasil em 2004, em Piracicaba, e realizou viagens ao exterior expondo seus trabalhos. Tem admiradores inusitados, como o artista americano Silvestre Stalone e o cantor brasileiro Falcão, além de Belchior, Fagner e o pintor Aldemir Martins. Suas obras podem ser admiradas no Centro de Convivência em Campinas, nas feiras realizadas aos finais de semana.
A arte naïf brasileira reflete o país tropical, generoso em sua vegetação e diversidade cultural entre as regiões e o povo que o compõe, fazendo com que ela tenha um lugar de destaque no cenário mundial.
Isto torna as obras muito procuradas, especialmente por estrangeiros, incentivando o aparecimento de imitações. Embora pareça fácil imitar um quadro naïf, principalmente para quem domina técnicas pictóricas, os imitadores acabam se traindo, pela falta da característica da ingenuidade desta arte.
O artista naïf é livre para expor sua criatividade da forma como lhe convenha. Acredita-se que esta técnica foi usada pelos homens das cavernas, que expressavam livremente o que observavam no seu cotidiano, através das pinturas na parede.
O pintor coloca na tela o que sente, sem se preocupar se os traços estão perfeitos, pois não observa padrões eruditos, o que faz com que a obra seja autêntica, natural e fale por si só. Ao olhar para uma tela naïf, tem-se a sensação de entrar em contato com a criança interior que existe em cada um de nós.
O trabalho também se caracteriza pelo autodidatismo e pelo uso de técnicas rudimentares adquiridas de forma empírica, com liberdade de criação e clara ausência de aspectos formais de composição, perspectiva e reprodução real de cores. Para os especialistas no assunto, é uma pintura individual e apresenta criações únicas e originais, transcendendo aquilo que conhecemos como arte popular.
O poder de comunicação direta de uma tela naïf com o público é muito grande e isto se deve tanto à simplicidade pictórica, quanto aos temas recorrentes, como o folclore, a religião, o universo onírico e lúdico. Nas obras dos pintores brasileiros são usadas representações do futebol, carnaval, festas populares, galos, tatus, faisões, crianças empinando pipas, circos, noivas, entre outras.
Trata-se de uma arte predominantemente alegre, rica em cores vibrantes, variada em detalhes devido à riqueza de elementos que retratam nosso país. Nas telas brasileiras encontra-se a vida do nosso povo, expressada por pintores de todas as classes sociais, que usam da criatividade para achar soluções e executar seus trabalhos.






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